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O Bonito Transparente realizou uma análise técnica do Portal da Transparência da Prefeitura de Bonito utilizando ferramentas de inteligência artificial com o objetivo de avaliar não apenas a existência das informações públicas exigidas por lei, mas também a facilidade de acesso e compreensão desses dados pela população.

O resultado mostra que o município possui diversas áreas de transparência ativas e disponibiliza uma quantidade significativa de documentos públicos. No entanto, a análise identificou que grande parte das informações ainda está organizada de forma excessivamente técnica, dificultando o acompanhamento por cidadãos que não possuem conhecimento sobre processos administrativos.

Transparência existe, mas nem sempre é fácil de entender

Segundo o levantamento, a principal fragilidade encontrada não está necessariamente na ausência de informações, mas na forma como elas são apresentadas.

Em diversas áreas, os documentos estão disponíveis para consulta, porém exigem que o cidadão abra arquivos individualmente, interprete termos técnicos e cruze informações de diferentes sistemas para compreender situações simples, como o andamento de uma obra, a execução de um contrato ou a utilização de recursos públicos.

A análise conclui que o portal atualmente se aproxima mais de uma transparência voltada ao cumprimento das exigências legais do que de uma transparência orientada ao cidadão.

Obras públicas receberam a menor avaliação

Entre todos os setores avaliados, as obras públicas receberam uma das menores notas.

Embora existam áreas específicas para obras realizadas, obras paralisadas, portal de obras e mapa de obras, não foi identificada uma ferramenta simples que permita acompanhar facilmente informações como:

  • valor contratado;
  • valor já pago;
  • percentual executado;
  • cronograma atualizado;
  • fotos da evolução da obra;
  • justificativas para paralisações.

Na prática, um morador interessado em acompanhar uma obra pública pode precisar consultar contratos, licitações e publicações oficiais separadamente para entender a situação completa.

A área recebeu nota 4 em uma escala de 0 a 10.

Controle de combustível e frota preocupa

O ponto considerado mais frágil da análise foi a transparência relacionada à frota municipal e ao consumo de combustível.

Não foi localizada de forma evidente uma área pública que apresente dados como:

  • abastecimentos realizados;
  • consumo por veículo;
  • quilometragem;
  • custos mensais;
  • fornecedores;
  • controle de utilização da frota.

Por envolver gastos permanentes e relevantes para a administração pública, especialistas em transparência costumam considerar essas informações fundamentais para o controle social.

A área recebeu nota 3, a menor da avaliação.

Licitações apresentam melhor desempenho

O setor de licitações obteve a melhor nota da análise, com 7 pontos.

Foram identificadas publicações relacionadas a processos licitatórios, dispensas, inexigibilidades, atas, Plano de Contratações Anual (PCA), avisos e sanções.

Apesar disso, a inteligência artificial apontou que a navegação continua sendo excessivamente técnica para a maioria da população.

Termos como “SRP”, “inexigibilidade”, “termo aditivo” e “modalidade licitatória” aparecem sem explicações simplificadas, o que pode dificultar a compreensão por parte dos cidadãos.

Saúde e educação ainda podem evoluir

As áreas de saúde e educação também apresentaram oportunidades importantes de melhoria.

No caso da saúde, não foram identificados painéis públicos intuitivos com informações como:

  • filas de exames;
  • filas de consultas;
  • disponibilidade de medicamentos;
  • gastos por unidade de saúde;
  • produtividade dos atendimentos.

Na educação, a análise sugere que poderiam existir ferramentas que permitissem acompanhar:

  • gastos por escola;
  • merenda escolar;
  • transporte escolar;
  • reformas e investimentos;
  • indicadores educacionais.

Ambas as áreas receberam nota 5.

Transparência moderna exige mais que documentos

A análise realizada pelo Bonito Transparente reforça uma discussão que vem crescendo em todo o país: publicar documentos é apenas o primeiro passo da transparência pública.

Cada vez mais, órgãos de controle, especialistas e entidades da sociedade civil defendem a criação de painéis intuitivos, indicadores visuais e ferramentas que permitam ao cidadão compreender rapidamente como os recursos públicos estão sendo utilizados.

Afinal, a verdadeira transparência não acontece apenas quando a informação está disponível, mas quando ela pode ser facilmente encontrada, compreendida e fiscalizada por qualquer pessoa.

O Bonito Transparente destaca que esta avaliação não tem caráter fiscalizatório oficial nem substitui auditorias realizadas pelos órgãos de controle competentes. O objetivo é contribuir para o debate sobre transparência pública e incentivar melhorias contínuas no acesso à informação e no fortalecimento do controle social em Bonito.

Essa matéria tem um tom equilibrado, reconhecendo os avanços do portal, mas apontando oportunidades concretas de melhoria sem caráter acusatório, o que tende a gerar maior credibilidade junto à população e aos órgãos públicos.